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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fechando ciclo

Peço desculpas pelo longo jejum de postagens. As últimas semanas por aqui foram bem intensas de estudo, agora posso respirar aliviado com a sensação de dever cumprido. Muita coisa aconteceu, portanto vou ver se consigo colocar um pouquinho por aqui.
O curso foi bem pesado na parte teórica. Muitas aulas, muito estudo e trabalhos a serem escritos. Essa semana foi a semana de avaliações, começamos com a prova prática onde os professores avaliaram nossa prática e execução de ásanas, pranayamas e técnicas como uddiyana bandha, nauli e kapalabhati.

Avaliação de uddiyana bandha.



 Após uma longa e cansativa manhã cada aluno foi sorteado com um tema para sua apresentação teórica e o meu foi interpretação textual do Hatha Yoga, o que foi muito bom pois pude falar um pouquinho sobre os clássicos tal como Hathapradipika, Gheranda Samhita, e Yoga Sutra, mas trazendo sempre a minha interpretação devocional sobre Bhakti Yoga e porque não vejo conflito entre as duas práticas.
Estivemos também ativamente envolvidos nas técnicas de limpeza descritas no Hatha Yoga. Os chamados shatkriyas (ou shuddhikriyas/shatkarmas) são técnicas fabulosas que visam uma completa limpeza de todo o corpo. Estamos acostumados a escovar o dente e tomar banho, mas internamente muita sujeira e estagnação permanece. Estava bem acostumado com técnicas simples como nauli (massagem da cavidade abdominal/intestinos), jala neti (limpeza das fossas nasais com água) e vaman dhauti (limpeza do estômago com água e vômito induzido) mas fiquei animado feito criança no parque de diversões ao aprender sutra neti (limpeza do nariz com catéter de borracha), vastra dhauti (limpeza do estômago engolindo um longo pedaço de tecido) e finalmente o grandioso shankhaprakshalana que limpa todo o sistema digestivo e intestinos através de um longo processo de ingestão de água e ásanas para direcioná-la. Para nossa mente ocidental esses processos soam muito estranhos e horríveis, pude notar isso através da imensa quantidade de alunos que se negaram a tentar devido aos seus bloqueios mentais, mas posso assegurar que eles são maravilhosos e necessários pra uma correta manutenção no nosso templo corpóreo mas não devem ser praticados sem a instrução de um profissional no início.

 Eu no sutra/rubber neti enquanto Jo vai de Vaman no fundo rsrs.

Tenho me divertido muito por aqui andando de bicicleta. Pela manhã alugo uma na loja e tenho descoberto lugares maravilhosos em minhas aventuras solitárias. Algumas pessoas tem medo de enfrentar o trânsito indiano, mas estive em todos os cantos de Lonavla no meu humilde veículo e foi sempre encantador. Descobri o bonito parque municipal, lojinhas de todos os tipos (saboreando todos os tipos de doces incríveis), o untuoso complexo Sri Narayani Dham com seus impressionantes templos e opulentas deidades, e lindos lagos em meio as montanhas que acessamos por trilhas. Pude até dar um mergulho no grande lago cujas águas limpas dão um enorme alívio ao calor pesado que tem feito por aqui.


As ruazinhas de Lonavla. Tem algo charmoso nessa aparente confusão.

Visão do lago de cima da montanha




E o sol se põe mais uma vez


Um antigo templo de Durga

Entrada de Sri Narayani Dham

Pátio central

Templo

Altar das 3 deidades, Ganesha, Narayani e Sri Balaji



O pátio é cercado de vasos da sagrada Tulasi.


Cada pedacinho que visito e observo tem alguma coisa pra contar, já me sinto nostálgico de deixar esse lugar que agora já parece minha casa e minha rotina. Tanta riqueza e tanto encantamento nas pessoas, nas ruas, nos animais, na natureza e nos exuberantes espectáculos que o sol dá por aqui. Sábado vou pra Pune e domingo embarco rumo a minha nova jornada no estado de West Bengal.

Namaste,
Hare Krishna!